quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Dia da Biblia - 09 Fevereiro 2008 - Cerva. Diocese Vila Real. Arciprestado do Baixo Tâmega

(cliq na imagem para aumentar)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Cristãos de todo o mundo vivem «semana do ecumenismo»



Oitavário de oração pela unidade decorre de 18 a 25 de Janeiro




O percurso rumo à unidade dos Cristãos é longo e e vai conhecendo altos e baixos. Em cada ano, o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos esquece surge como uma oportunidade para colocar diante de debates, reflexões e orações as razões para a união entre os que professam a fé no mesmo Cristo.Este ano, novas iniciativas e projectos marcam o dinamismo ecuménico nas diferentes regiões do país, com destaque para o trabalho realizado entre a juventude, apresentado neste dossier por João Luís Fontes, participante nas Assembleias Ecuménicas e dinamizador do Fórum Ecuménico Jovem.No início da Semana Ecuménica, o dossier AE quer também analisar o percurso já realizado, nomeadamente por quem sobre ele se pronunciou há 10 anos. Pedimos ao Bispo Ireneu Cunha, que há uma década adiantou propostas concretas para caminho ecuménico que avaliasse, passado este tempo, passos andados ou por andar.Fulcral para este percurso ecuménico é o contributo do Papa Bento XVI. José Eduardo Borges de Pinho adianta em que aspectos este tema é também central no Pontificado actual.Mais abrangente, o diálogo inter-religioso tem conhecido etapas reais e positivas em Portugal, analisadas por Mário Mota Marques.2008"Rezai sem cessar", o apelo deixado por São Paulo, é também o pedido dos representantes das Igrejas cristãs para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que em 2008 completa um século. O tema, a partir da 1ª Carta do Apóstolo aos Tessalonicenses, vai reunir anglicanos, católicos, ortodoxos e protestantes, em encontros de oração pela unidade plena.O material foi preparado por um grupo ecuménico dos Estados Unidos da América, para recordar a primeira semana com estas características celebrada em Graymoor (Garrison, Nova Iorque) de 18 a 25 de Janeiro de 1908, e está disponível no sítio na Internet do Vaticano - www.vatican.va -, na secção do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.Tradicionalmente, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada de 18 a 25 de janeiro. Estas datas foram propostas em 1908 por Paul Wattson abrangendo o período entre a festa de São Pedro e a de São Paulo. Esta escolha tem, portanto, um significado simbólico. No Hemisfério Sul, onde o mês de Janeiro é um período de férias de Verão, prefere-se adoptar uma outra data, por exemplo, nas proximidades da festa de Pentecostes.


Momentos marcantes:


1894 - O Papa Leão XIII encoraja a prática de um Oitavário de Oração pela unidade, no contexto de Pentecostes.


1908 - Celebração da "Oitava pela unidade da Igreja", por iniciativa do Reverendo Padre Paul Wattson.


1926 - O Movimento Fé e Constituição começa a publicação de "Sugestões para um Oitavário de Oração pela Unidade dos cristãos".


1935 - Na França, o Padre Paul Couturier torna-se o advogado pela "unidade que Cristo quer e pelos meios que Ele quer".


1958 - O Centro "Unidade Cristã" de Lyon (França) começa a preparar o tema para a Semana de Oração, em colaboração com a Comissão "Fé e Constituição" do Conselho Mundial de Igrejas.


1964 - Em Jerusalém o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras I, recitaram juntos a oração de Cristo "que todos sejam um" (Jo 17).


1965 - Concílio Vaticano II - O Decreto sobre o Ecumenismo sublinha que a oração é a alma do movimento ecuménico, e encoraja a prática da Semana de Oração.


1966 - A Comissão "Fé e Constituição" e o Secretariado para a Unidade dos Cristãos (presentemente Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos) da Igreja Católica decidem preparar em conjunto o texto para a Semana de Oração de cada ano.


1968 - Pela primeira vez, a "Oração pela Unidade" é celebrada com base nos textos elaborados em colaboração entre "Fé e Constituição" e o Secretariado para a unidade dos cristãos.


1975 - Pela primeira vez a Semana de Oração utilizou material com base no texto preparado pelo grupo ecuménico local. Um grupo australiano foi o primeiro a utilizar esse projecto para preparar o esboço inicial de 1975.


1988 - Os materiais da Semana de Oração foram usados durante a oração de abertura pela Federação Cristã da Malásia.


1994 - Texto para 1996 preparado em colaboração com ACM's.


2004 - O acordo entre Fé e Constituição (Conselho Mundial de Igrejas) é o Pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristãos (Igreja Católica) para que o livrinho da Semana de oração pela unidade dos cristãos seja oficialmente publicado em conjunto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Papa deixa apelo pela unidade dos cristãos


Bento XVI antecipa celebração da Semana de oração que se inicia a 18 de Janeiro


Bento XVI assinalou esta manhã a importância da Semana de oração pela unidade dos cristãos, que se iniciará no próximo dia 18 de Janeiro, pedindo um “compromisso sincero de busca da unidade”. O Papa lembrou que esta iniciativa ecuménica assinala em 2008 cem anos de existência.
Falando aos peregrinos reunidos na sala Paulo VI, do Vaticano, para a audiência geral desta manhã, o Papa deixou votos de que os cristãos possam “professar em conjunto que Jesus é o único Salvador do mundo”.
Lembrando o tema escolhido para a celebração deste ano, “Rezai sem cessar”, a partir de uma carta de São Paulo aos cristãos Tessalonicenses, Bento XVI disse que “é necessário rezar sem desanimar, pedindo com insistência a Deus o grande dom da unidade entre todos os discípulos do Senhor”, estendendo esse convite "a toda a Igreja".
Tradicionalmente, a Semana de oração pela unidade dos cristãos é celebrada de 18 a 25 de Janeiro. Esta data foi proposta em 1908 por Paul Wattson de maneira que elas se realizassem no período entre a festa de São Pedro e a de São Paulo. Assim sendo, esta escolha tem um significado simbólico. No hemisfério Sul, onde o mês de Janeiro é o período das férias de Verão, preferiu-se adoptar uma outra data, por exemplo, uma semana próxima do Pentecostes (sugestão feita pelo movimento Fé e Constituição em 1926), que constitui uma data simbólica para a unidade da Igreja.
O compromisso ecuménico tem sido uma das marcas do actual pontificado. Segundo o especialista português José Eduardo Borges de Pinho, professor na UCP, “tem-se vindo a assistir a uma (justa) revalorização do ecumenismo anónimo quotidiano, na convicção de que o simples facto de se ir caminhando juntos é já uma forma de unidade”.
“Sobretudo volta a dar-se maior importância à existência e à acção de pequenos grupos e das várias redes (existentes e possíveis) de convivência e partilha ecuménicas. É nos pequenos gestos, contactos e acções, realizados em todos os lugares e circunstâncias onde cristãos de diferentes confissões vivem e procuram testemunhar o Evangelho, que o ecumenismo é, simultaneamente, posto à prova, cresce em credibilidade e se sedimenta como esperança para o futuro”, escreve no Dossier publicado esta semana pela Agência ECCLESIA a respeito da Semana de oração que se inicia Sexta-feira.
Texto bíblico e tema escolhido para 2008
A passagem bíblica escolhida para a celebração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é extraída da 1ª Carta aos Tessalonicenses. A exortação “orai sem cessar” (1Tes 5,17) sublinha o papel essencial da oração na vida da comunidade dos fiéis. Pois ela permite aos seus membros aprofundar a sua relação com Cristo e com os demais irmãos na fé.
Esta passagem faz parte de uma série de “imperativos” e declarações através das quais Paulo encoraja a comunidade a viver da unidade que Deus nos dá em Cristo, a ser na prática o que ela é em princípio : o Corpo único de Cristo, visivelmente unido num mesmo lugar.
Paulo nutria grandes esperanças para a Igreja de Tessalónica: a fé, a esperança e a caridade que não cessavam de crescer nesta cidade, a maneira com que ela havia acolhido a Palavra apesar dos sofrimentos, e a alegria que ela expressava no Espírito Santo, tudo concorria para suscitar sua admiração e seus louvores (1Tes 1,2-10). Todavia ele estava preocupado.
A sua saída precipitada não lhe tinha deixado tempo de consolidar a obra que tinha começado e rumores inquietantes chegavam até ele. Certos desafios provinham do exterior, sobretudo a perseguição da comunidade e dos seus membros (1Tes 2,14). Outros eram de natureza interna: alguns membros da comunidade continuavam a ter comportamentos cada vez mais marcados pela cultura ambiente do que pela nova vida em Cristo (4,1-8) ; outros criticavam os responsáveis que exerciam a autoridade e, em consequência o próprio Paulo (cf. 2,3-7,10) ; outros ainda desesperavam-se da sorte reservada aos que morriam antes do regresso de Cristo.
Um dos principais objectivos de Paulo era edificar esta comunidade na unidade. Nem mesmo a morte pode cortar os laços que a unem enquanto único corpo de Cristo. Jesus foi morto e ressuscitou por todos. Assim, quando o Senhor voltar, tanto os que já adormeceram quanto os que ainda vivem, «vivamos então unidos a ele» (5,10).
Isto conduz Paulo a pronunciar os imperativos que figuram em 1Tes 5,13-18 e formam uma lista de exortações das quais uma parte foi escolhida para servir de base à Semana de oração deste ano. Esta passagem se inicia pela exortação que Paulo dirige aos membros da comunidade : “Vivei em paz entre vós” (5,13b) – paz que não significa simplesmente a ausência de conflitos, mas a harmonia na qual os dons de cada membro da comunidade contribuem à sua prosperidade e crescimento. É interessante notar que Paulo não dá nenhum ensinamento teológico abstracto, nem faz alusão às emoções e aos sentimentos.
O apelo “orai sem cessar” (5,17) faz parte desta lista de imperativos. Isto nos lembra que a vida numa comunidade cristã só é possível através de uma vida de oração. Paulo mostra ainda que a oração é parte integrante da vida dos cristãos, precisamente quando eles procuram manifestar a unidade que lhes é dada em Cristo – uma unidade que não se limita aos acordos doutrinais e às declarações oficiais, mas que se exprime em “tudo o que contribui à paz” – através de acções concretas que testemunham a unidade em Cristo, e entre si e que a fazem crescer.
O projecto de textos foi preparado pelo director do Instituto Ecuménico e Inter-religioso de Graymoor (Nova Iorque, EUA), o Pe. James Loughran SA, em consulta com Ann Riggs, Directora geral da Comissão Fé e Constituição do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs dos EUA (NCCCUSA); Keelan Downton, investigador; James Mass, Director do Secretariado para Assuntos Ecuménicos e Inter-religiosos da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB) e Susan Dennis, Presidente e Directora geral do Centro Inter-confessional de Nova Iorque (EUA).
Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

D. Joaquim Gonçalves saúda nomeação de D. Amândio Tomás




Saudando a nomeação de D. Amândio Tomás como Bispo Coadjutor de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves, Bispo da diocese de Vila Real, relembra numa nota pastoral, os motivos e o pedido que endereçou a Bento XVI.“A meio do Verão passado, ao sentir agravar-se uma debilidade cardíaca antiga, pedi ao Santo Padre, como prescreve a lei da Igreja em caso de doença grave do bispo diocesano, a nomeação de um bispo coadjutor que me auxiliasse no pastoreio da diocese. Volvidos alguns meses, fui informado que o Papa atendera o meu pedido que agora foi oficialmente dado a conhecer”. D. Joaquim Gonçalves manifesta o desejo de que esta nomeação “encha de alegria toda a Diocese”, pois acrescenta, “trata-se de uma pessoa bem preparada teologicamente, com variada experiência pastoral, bom conhecedor das estruturas do governo da Igreja, tudo isto aliado a um temperamento próximo das pessoas”.O Bispo de Vila Real refere que o seu estado de saúde o obriga a prolongar a sua ausência da dioceses, “o que aconselha a apressar a vinda do senhor D. Amândio”.A recepção solene está marcada para as 15h30 do próximo dia 10 de Fevereiro, primeiro Domingo da Quaresma.A recepção solene a D. Amândio Tomás não vai contar com a presença de D. Joaquim Gonçalves. D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, vai presidir à celebração.D. Joaquim Gonçalves lembra ainda que os três últimos bispos de Vila Real foram todos coadjutores dos anteriores, tal como acontece com o senhor D. Amândio Tomás, que será o quinto bispo da Diocese e, nessa qualidade, o primeiro natural da mesma.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Educação, prioridade na luta contra pobreza – assegura Bento XVI

Bento XVI considera que na luta contra a pobreza, a educação da juventude é uma prioridade para a comunidade internacional.
Assim explicou hoje, ao receber as cartas credenciais dos novos embaixadores ante a Santa Sé da Tailândia, Seychelles, Namíbia, Gâmbia, Suriname, Singapura e Kuwait.
O Papa lançou um «chamado para que todas as pessoas que têm uma função na vida social, todas as que participam do governo das nações, façam tudo o que possam para voltar a dar esperança aos povos que têm a tarefa de governar».
«Que levem em conta suas aspirações mais profundas e que façam o necessário para que todos possam beneficiar-se das riquezas naturais e económicas de seu país, segundo os princípios da justiça e da equidade», afirmou.
«Desde esta perspectiva – declarou o Papa em seu discurso pronunciado em francês –, deve prestar-se particular atenção às jovens gerações, mostrando-lhes que são a primeira riqueza de seu país. Sua educação integral é uma necessidade primordial.»
Segundo o bispo de Roma, «não é suficiente uma informação técnica e científica para forjar homens e mulheres responsáveis em sua família e em todos os níveis da sociedade».
«Para conseguir este objectivo – sublinhou –, deve-se privilegiar uma educação nos valores humanos e morais que permita a cada jovem tomar confiança em si mesmo, esperar no futuro, preocupar-se por seus irmãos e irmãs em humanidade e assumir seu papel no crescimento da nação, com um sentimento cada vez mais agudo de preocupação pelo próximo.»
Por este motivo desejou que, «em cada país, a educação da juventude seja uma prioridade, com o apoio de todas as instituições da comunidade internacional que estão comprometidas na luta contra o analfabetismo e contra a falta de formação em todas suas manifestações».
«É uma maneira particularmente importante de lutar contra a desesperança que pode albergar-se no coração dos jovens e provocar numerosos actos de violência, individuais ou colectivos», indicou o pontífice, que acaba de escrever uma encíclica sobre a esperança.
Bento XVI concluiu alentando «todas as pessoas que participam dessa maravilhosa missão da educação da juventude a continuar sem descanso em sua tarefa, certas de que a adequada formação dos jovens prepara um amanhã promissor».
www.zenit.org

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Pastoral no Campo da Saúde

Publicamos o discurso que Bento XVI proferiu aos participantes na XXII Conferência Internacional do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, no dia 17 de Novembro.

Senhor Cardeal
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio
Ilustres Senhores e Senhoras
Queridos irmãos e irmãs!

Sinto-me feliz por me encontrar convosco por ocasião desta Conferência Internacional organizada pelo Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde. Dirijo a cada um de vós a minha cordial saudação que vai, em primeiro lugar, para o Senhor Cardeal Javier Lozano Barragán, com sentimentos de gratidão pelas gentis expressões que me dirigiu em nome de todos. Com ele saúdo o Secretário e os demais componentes do Pontifício Conselho, as distintas personalidades presentes e quantos participaram neste encontro para reflectir juntos sobre o tema do cuidado pastoral dos doentes idosos. Trata-se de um aspecto hoje central da pastoral da saúde que, devido ao aumento da idade média, diz respeito a uma população cada vez mais numerosa, que vive diversas necessidades, mas ao mesmo tempo com indiscutíveis recursos humanos e espirituais. Se é verdade que a vida humana em cada uma das suas fases é digna do máximo respeito, em certos aspectos ainda o é mais quando está marcada pela velhice e pela doença. A velhice constitui a última etapa da nossa peregrinação terrena, que tem fases distintas, cada uma com as suas luzes e sombras. Perguntamos: ainda tem sentido a existência de um ser humano que se encontra em condições bastante precárias, porque é idoso e doente? Por que motivo, quando o desafio da doença se torna dramático, continuar a defender a vida, não aceitando ao contrário a eutanásia como uma libertação? É possível viver a doença como uma experiência humana que deve ser assumida com paciência e coragem? Com estas perguntas deve medir-se quem está chamado a acompanhar os idosos doentes, especialmente quando parecem não ter mais a possibilidade de cura. A mentalidade eficientista de hoje tende com frequência a marginalizar estes nossos irmãos e irmãs sofredores, como se fossem apenas um "peso" e "um problema" para a sociedade. Quem tem o sentido da dignidade humana sabe que eles devem ser, ao contrário, respeitados e apoiados no momento em que enfrentam sérias dificuldades ligadas ao seu estado. Aliás, é justo que se recorra também, quando for necessário, ao uso de curas paliativas, as quais, mesmo se não podem curar, conseguem contudo aliviar os sofrimentos que derivam da doença. Mas, sempre ao lado das curas clínicas indispensáveis, é necessário mostrar uma capacidade concreta de amar, porque os doentes têm necessidade de compreensão, de conforto e de encorajamento e acompanhamento constantes. Os idosos, em particular, devem ser ajudados a percorrer de modo consciente e humano o último percurso da existência terrana, a fim de se prepararem serenamente para a morte, que nós cristãos sabemo-lo é uma passagem para o abraço do Pai celeste, cheio de ternura e misericórdia.Gostaria de acrescentar que esta necessária solicitude pastoral para com os idosos doentes não pode deixar de dizer respeito às famílias. Em geral, é oportuno fazer tudo quanto for possível para que sejam as próprias famílias quem os acolhe e se ocupam deles com afecto reconhecido, de modo que os idosos doentes possam transcorrer o último período da vida em casa e preparar-se para a morte num clima de calor familiar. Mesmo quando é necessária a internação em estruturas hospitalares, é importante que não falte o vínculo do paciente com os seus familiares e com o próprio ambiente. Nos momentos mais difíceis o doente, amparado pelos cuidados pastorais, seja encorajado a encontrar a força para enfrentar a sua dura prova na oração e com o conforto dos Sacramentos. Seja circundado por irmãos na fé, dispostos a ouvi-lo e a partilhar os seus sentimentos. Na realidade, é este o verdadeiro objectivo do cuidado "pastoral" das pessoas idosas, sobretudo quando estão doentes, e ainda mais se gravemente enfermos. Em várias ocasiões, o meu venerado predecessor João Paulo II, que especialmente durante a doença ofereceu um testemunho exemplar de fé e de coragem, exortou os cientistas e os médicos a comprometerem-se na pesquisa para prevenir e curar as doenças relacionadas com o envelhecimento, sem nunca ceder à tentação de recorrer à prática de abreviação da vida idosa e doente, práticas que resultariam ser de facto formas de eutanásia. Que os cientistas, os pesquisadores, os médicos, os enfermeiros, assim como os políticos, os administradores e os agentes pastorais nunca se esqueçam de que "a tentação da eutanásia" é "um dos sintomas mais alarmantes da "cultura da morte" que avança sobretudo nas sociedades do bem-estar" (Evangelium vitae, 64). A vida do homem é dom de Deus, o qual todos somos chamados a preservar sempre. Este dever compete também aos agentes no campo da saúde, cuja missão específica é tornar-se "ministros da vida" em todas as suas fases, particularmente nas que estão marcadas pela fragilidade relacionada com a enfermidade. É necessário um compromisso geral para que a vida humana seja respeitada não só nos hospitais católicos, mas em qualquer lugar de cura. Para os cristãos é a fé em Cristo que ilumina a doença e a condição da pessoa idosa, como qualquer outro acontecimento e fase da existência. Jesus, ao morrer na cruz, deu ao sofrimento humano um valor e um significado transcendentes. Perante o sofrimento e a doença os crentes são convidados a não perder a tranquilidade, porque nada, nem sequer a morte, nos pode separar do amor de Cristo. N'Ele e com Ele é possível enfrentar e superar qualquer prova física e espiritual e, precisamente no momento de maior debilidade, experimentar os frutos da Redenção. O Senhor ressuscitado manifesta-se, em quantos n'Ele crêem, como o vivente que transforma a existência dando sentido salvífico também à doença e à morte. Queridos irmãos e irmãs, ao invocar sobre cada um de vós e sobre o vosso trabalho quotidiano a materna protecção de Maria, Salus infirmorum, e dos Santos que despenderam a sua existência ao serviço dos doentes, exorto-vos a empenhar-vos sempre por difundir o "evangelho da vida". Com estes sentimentos, concedo-vos de coração a Bênção Apostólica, fazendo-a extensiva de bom grado aos vossos familiares, colaboradores e particularmente às pessoas idosas doentes.
Tradução distribuída pela Santa Sé

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Ad Limina 2007: Resultados


Bispos Portugueses trazem directivas de Roma para a Igreja Portuguesa
O ponto alto de uma visita «Ad Limina» é o encontro de todos os bispos com o Papa. Aí, o sucessor de Pedro faz um discurso onde aponta as virtualidades e os caminhos a percorrer pela Igreja. Quando recebeu os bispos portugueses (10 de Novembro), Bento XVI pediu-lhes para que mudassem “o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II”. Esta directiva para a Igreja Portuguesa é o caminho para os próximos tempos. D. Jorge Ortiga, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), disse à Agência ECCLESIA que Papa “intuiu as nossas carências, ansiedades e insatisfações”.
Antes da visita «Ad Limina», os bispos enviam os relatórios para Roma. Depois de analisar estes documentos Bento XVI verificou também que existe uma “maré crescente de cristãos não praticantes”. No intuito de ajudar a resolver este decréscimo, o Papa alertou os pastores portugueses para que estudassem “a eficácia dos percursos de iniciação actuais”. Os resultados não são animadores porque “a catequese é dada num contexto difícil e os jovens são confrontados permanentemente com outros apelos” – lamentou o Presidente da CEP.
Com o intuito de alterar o panorama sombrio em alguns campos da pastoral, as dioceses irão enviar os relatórios para a Conferência Episcopal Portugal onde “serão estudados pelo Gabinete de Estudos Pastorais” – realçou D. Carlos Azevedo, Secretário da CEP, no final da Assembleia Plenária que estava integrada no programa da visita «Ad Limina» (3 a 12 de Novembro). Depois de feita a análise destes documentos, a aposta passa pela formação “profunda” dos cristãos – disse.
Na atitude “de alunos que necessitam de aprender a lição, confiem-se diariamente, à Mestra tão insigne e Mãe do Cristo total, todos e cada um de vós e os sacerdotes vossos directos colaboradores na condução do rebanho” – finalizou Bento XVI.
Centenário da Implantação da República e Tratado Reformador
Com o aproximar da celebração do centenário da implantação da República, o Presidente da CEP disse que “devemos estar presentes para que a interpretação dos acontecimentos seja exacta”. Afirmação feita no início dos trabalhos da Assembleia Plenária. E acrescenta: “esta data não pode passar despercebida e necessitamos de, serena e desapaixonadamente, sintonizar com a heroicidade dos pastores e cristãos daquela época para crescermos no amor à Igreja na actualidade”. Apesar das diferentes características temporarais, "não ignoramos a nossa história e com ela construímos o futuro" - proferiu.
Aproxima-se também a assinatura do Tratado Reformador (13 de Dezembro), D. Jorge Ortiga sublinha que “teremos de nos consciencializar, ainda mais, da nossa integração na União Europeia”. O chamado Tratado Reformador “parece ser portador de alguma esperança que nos deve comprometer”. Numa laicidade justa, “toca-nos o dever de mostrar que Cristo une e aproxima culturas”. “Nesta dimensão «positiva» não podemos ignorar outras realidades que serão uma interpelação para a nossa pastoral” – completa na abertura dos trabalhos da Assembleia Plenária.
Espera «ansiosamente» a regulamentação de alguns pontos da Concordata
A questão da Concordata entre Portugal e a Santa Sé também foi objecto de diálogo com Bento XVI e os vários dicastérios. “Não viemos fazer queixa sobre este assunto”, mas assegurar “que estamos disponíveis para continuar a colocar em prática o que está assinado no documento” – realçou o Presidente da CEP. A Igreja Portuguesa espera “ansiosamente” pela regulamentação de alguns pontos da Concordata, mas compreende que o “Governo esteja, actualmente, muito empenhado na Presidência da União Europeia” – aponta D. Jorge Ortiga. No entanto lamenta: “pequenos grupos, imbuídos dum espírito laicista, têm pretendido suscitar possíveis conflitos”. Apesar destas contingências, D. Jorge Ortiga sublinha que a Igreja Portuguesa pretende “dialogar para que a igualdade de direitos não seja capaz de abafar a proporcionalidade”.
No discurso proferido na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, D. Jorge Ortiga explicou que “não nos sentimos em confronto com ninguém nem procuramos gerar conflitos”. Num papel de geradores “de consensos”, os bispos presentes em Roma sublinham que são apologistas do diálogo “sem nos intrometermos em terrenos alheios nem negarmos direitos a ninguém”. Em relação à Liberdade Religiosa, o Presidente da CEP disse que esta “interessa-nos pela mesma liberdade que vale para todos como consequência dum reconhecimento da dimensão transcendental”.
Encíclica Social
Ao longos dos dias, os bispos portugueses visitaram alguns Dicastérios da Cúria Romana. Uma oportunidade para sentirem o pulsar da Igreja e retirarem algumas dúvidas. Quando visitaram Conselho Pontifício Justiça e Paz foi-lhes anunciado que Bento XVI estava a prepara uma Encíclica Social nas comemorações dos 40 anos da encíclica «Populorum Progressio». Contacta pela Agência ECCLESIA, Manuela Silva, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, acha que o documento “dará novo alento aos cristãos sobre a Doutrina Social da Igreja” e ajudará a “fazer da globalização um processo mais justo e equitativo”.
Nesse mesmo Conselho, os bispos portugueses ouviram que apenas três países a nível mundial cumprem o acordo de cooperação internacional e que nesta área os “montantes têm diminuído muito”, visto que os “0,7% dos seus produtos” para este efeito não são cumpridos. “As dificuldades ao nível da Segurança Social fazem com que desloquem para aí essas verbas” – disse D. Carlos Azevedo.
Os bispos eméritos são “muito úteis” mas as orientações da Congregação dos Bispos “são para manter e conservar” – declarou à Agência ECCLESIA D. Jorge Ortiga sobre a questão do estatuto do Bispo emérito colocada naquela Congregação romana. D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas e de Segurança frisou que os prelado eméritos através da “sua experiência poderiam ser mais produtivos”. O presidente da CEP corrobora também desta opinião. “As posições exigem muita reflexão e eles são muito importantes neste ponto”. Só que as “decisões implicam responsabilidades concretas e eles não têm dioceses. O voto implica assumir uma orientação” – sublinha D. Jorge Ortiga.
Na visita dos bispos à Congregação da Doutrina da Fé e ao Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, D. Albino Mamede Cleto, bispo de Coimbra, realçou que o Cardeal Walter Kasper “deu-nos uma grande lição de Teologia sobre o Ecumenismo e Diálogo inter-religioso”. E avança: “mostrou-nos o panorama mundial em relação a essas questões”. O Bispo das Forças Armadas e de Segurança completa: “Perante o cenário reproduzido, Portugal não tem problemas desta ordem”.
A purificação da religiosidade popular e as missas em Latim
Valorizar e purificar a religiosidade popular foi um dos apelos que a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos fez aos bispos portugueses. O bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, contou à Agência ECCLESIA que devido às peregrinações ao Santuário de Fátima e às outras festas que se realizam de Norte a Sul, o prefeito da Congregação “pediu-nos para que não destruíssemos a religiosidade Popular”.
Em relação às missas em Latim, “informaram-nos que ainda não existem dados concretos a nível mundial sobre este assunto” – frisou o bispo de Viseu. A 14 de Setembro entrou em vigor o Motu Proprio de Bento XVI – Summorum Pontificum – que aprova a utilização universal do Missal promulgado, em 1962, pelo Beato João XXIII com o Rito de S. Pio V, utilizado na Igreja durante séculos. Os bispos portugueses disseram na Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos que “em Portugal não víamos grande apetência por esse rito” – sublinha D. Ilídio Leandro.
No diálogo, os pastores portugueses transmitiram ao Cardeal Francis Arinze que a Comissão Episcopal de Liturgia está a fazer “uma nova tradução do Missal Romano” e que “estará pronta brevemente” – afirmou o prelado viseense. Por sua vez, o Prefeito da Congregação pediu para que em Portugal “existissem Comissões Diocesanas de Liturgia e Arte Sacra em todas as dioceses” – disse D. Carlos Azevedo.
Novo Santo Português
Na visita que fez à Congregação para a Causa dos Santos, o bispo de Coimbra realçou à Agência ECCLESIA que “não se falou sobre o processo da Irmã Lúcia” mas o Prefeito da Congregação, Cardeal José Saraiva Martins, deu “indícios que o processo do Beato Nuno Santa Maria é aquele que está mais avançado”. E avançou: “Disse que poderíamos ter brevemente algumas surpresas”.
O Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Carlos Azevedo disse que o cardeal português que preside à Congregação para a Causa dos Santos afirmou que “estava em bom caminho o processo de canonização do beato Nuno”. “Não avançou com datas” mas “já não aparece na lista dada dos processos que estão em curso”. Perante a estupefacção dos bispos portugueses, o Cardeal Saraiva Martins afirmou que “ele já estava noutro nível”. D. José Saraiva Martins pediu também aos bispos portugueses que “ajudássemos na promoção da devoção de alguns beatos e de personalidades com o processo em curso” – referiu o arcebispo de Braga.
Luís Filipe Santos 10/11/2007 - www.agencia.ecclesia.pt